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CAMPO MAIOR: Historiador fala sobre a vida e morte do comunicador Leny Chaplin

Em artigo de 18 laudas, historiador e Correspondente da TV e Portal O Jornal em Campo Maior, Celson Chaves, fala sobre a vida e morte do comunicador Leny Chaplin. O texto intitulado “Só pra dá um toque”.
 Foto: Google 

Leny Chaplin

Em artigo de 18 laudas, historiador e Correspondente da TV e Portal O Jornal em Campo Maior, Celson Chaves, fala sobre a vida e morte do comunicador Leny Chaplin. O texto intitulado “Só pra dá um toque”.

Veja Texto na Integra

 

“É SÓ PA DÁ UM TOQUE” por Celson Chaves

 

Entre 1930 e 1970, Campo Maior urbanizava-se. Surgem novas ruas e praças, as primeiras avenidas. Modernos prédios e monumentos. A cidade ganhava outro patamar civilizatório. Casas de shows, clubes de futebol, bandas de música, cineteatro, biblioteca, cafés, estação de rádio, jornais. As praças tornam-se locais de encontros da juventude, pontos de namoros e conversas. As rugas da cidade velha permanecem nos casarões imperiais.

Nos anos 70, a economia pujante impacta a vida social da urbe. A revitalização urbana e o dinamismo comercial atraem forasteiros em busca de oportunidades e investimentos. Estes contribuíram de modo significativo para o município.  Foram realizações grandiosas que até hoje produzem bons frutos, outros permanecem na memória coletiva como passagens briosas de um tempo áureo. Destacaram-se no comércio, educação, jornalismo, literatura, música e cultura. Maria Nilza Leite (Madre Juliana), Raimundo Antunes Ribeiro (Totó Ribeiro), Reginaldo Gonçalves de Lima, João Sérgio Gomes... Podemos também incluir nesta lista de forasteiros, Lenir Freire da Silveira.  São figuras que marcaram os campo-maiorenses pela inteligência, talento e integridade.

Leny nasceu no lugar Renovo (município de Altos, hoje Coivaras), a 19 de maio de 1952 e faleceu em Teresina, a 17 de fevereiro de 2019, sendo sepultado no cemitério dos “Bilós”- Coivaras. Filho de José Ribeiro da Silveira e Izabel Freire da Silveira.

Em 1972, aos 20 anos, decide morar em Teresina, onde trabalhou na secretária de educação, antes de se transferir para a Brasília em 1974. Na capital federal, trabalhou no Ministério do Trabalho, nos correios e hotéis. Empregos de curta duração. Passou temporada em São Paulo. Somente a partir de 1976, decidi fixar residência em Campo Maior, morando a rua Benjamin Constant.  Na terra dos carnaubais projetou-se para a sociedade piauiense. 

Esquerda para direita: Helena, Rosineide, Rosália, Isabel (Mãe) e Rosalvir. Em cima dos tijolos: Francisca, Regina e Leny.

Esquerda para direita: Airton, Rosineide, Isabel (mãe), Antônio e Leni.

 

Chegou a Campo Maior no início da década de 1970, passando a residir a Rua Benjamin Constant. Deve-se a ele uma das páginas de maior sucesso na história do colunismo social.

Leny com 18 anos.

 

 IMPRENSA E COLUNISMO SOCIAL

O colunismo social como gênero jornalístico surgiu em Campo Maior, de modo consistente, a partir da gazeta O Estímulo, fundada em 27 de janeiro de 1946, redigida pelo padre Mateus Cortez Rufino. O periódico trazia na grade de notícias a coluna “Notas Sociais” em que listava os acontecimentos da cidade em cinco fatos: aniversários, casamentos, nascimentos, noivados e viagens. As famílias tradicionais eram o foco.

O Estímulo era um órgão conservador, muito ligado aos interesses da Igreja Católica, preconizava o relato respeitoso e elogioso às pessoas mais distintas da sociedade. Algumas “Notas” beirava a bajulação. A pauta social não mudava. Sempre os mesmos assuntos. Evitava-se escrever sobre fofocas, escândalos e futilidades da vida mundana. Adultérios, divórcios e homossexualismo eram tabus.

Já na década de 1960, sobretudo a partir da criação do jornal A Luta, em 1967, a crônica social ganhou outro patamar. Inovou-se, dinamizou-se, principalmente com o uso da fotografia. Nesse período predominavam as mulheres. Foram quatro os momentos do colunismo social no A Luta.  Primeiro, Sílvia Maria Ribeiro Melo, com o “Nosso High-Society” (1967-1969); segundo, Maria de Jesus de Araújo, com “A LUTA Sociais” (1970-1971); terceiro, Cleusy Carvalho Miranda, assinando as colunas “Acontecimentos Sociais” e “Notas Sociais” (1977-1979); e quarto, Lenir Freire da Silveira escrevendo na “Coluna Social - Leni e Sociedade” e “Fofocando de Vocês-Genaro” (1977).  Áurea Lina Paz também atuava na área.

O A Luta renovou o noticiário local, inspirando-se em técnicas e modelos da imprensa moderna. O aspecto social, assim como o literário, ganhou amplo espaço no jornal. Renovou-se o modo de fazer colunismo social em Campo Maior. A mudança começa pelo ingresso do homem numa área dominada pelas mulheres. Pioneiro, Leny Chaplin, nome artístico de Lenir Freire da Silveira, incrementou a crônica social com matérias “polêmicas”.

A partir do A Luta, o colunismo social campo-maiorense evoluiu, ao trazer fatos e assuntos até então “proibidos” em jornais locais por questão de tabu, tradição ou censura. Sílvia Melo trabalhava o colunismo social mais “informativo”, relatando eventos impactantes, bailes de formaturas e debutantes, prestação de serviços, inaugurações, modismos. Perpassava em suas notas assuntos amenos e avisos de aniversários, casamentos e namoros. O “Nosso High-Society” pegava quase página inteira do periódico A Luta. 

Como foi dito, as relações sociais dinamizaram-se com a urbanização de Campo Maior. O circuito social ampliou-se. A cidade estava saindo do secular isolamento. A massificação do jornal impresso, o acesso a eletrodomésticos como rádio e Tv atualizavam mais rápido as notícias. A vitrola animava as tertúlias nos casarões da praça Bona Primo, na casa de shows da alta sociedade (Campo Maior Clube) e da classe operária (Grêmio Recreativo), nos cabarés da rua Santo Antônio. A cidade tornava-se movimentada. Era um convite à boêmia. 

Através da mídia, a sociedade campo-maiorense pode acompanhar as transformações, transgressões e agitações juvenis em busca de um mundo mais liberal e tolerante. A modernidade criava novos costumes e produtos. Surge uma nova música (rock roll) e moda feminina ousada, cheia de decotes (minissaias). A sensibilidade estava em alta. Eclode o movimento estudantil, feminista e hippie. A juventude tornava-se protagonista de sua própria história.  O Brasil vivia a censura institucionalizada dos quartéis. Enquanto a tecnologia aproximava Campo Maior das novidades dos grandes centros.

O vigoroso crescimento econômico e urbano ocasinou transformações significativas no município. Aparecem novos ricos (principalmente ligado ao comércio) e mudam-se as relações sociais. Nesse momento, o colunismo social transforma-se na principal vitrine do que acontece no high-Society da cidade.  Os colunistas criaram uma aurea de charme e encanto para as festas requitadas do grande monde. Imperava a cultura do glamour. Leny e F. Royttman passou a usar expressões em inglês nos textos. Era chic. Não bastava o consumo, o luxo, era preciso elegância. A espertacularização da imagem era uma forma de ascenção social. Hoje, ricos e famosos estão mais cautelosos quanto a exposição da vida privada. Uns fogem até dos holofotes, escondendo-se no anonimato.

O colunismo social sofreu forte influência desse contexto. As gírias e o ritmo do “iê-iê-iê” da Jovem Guarda influenciaram no “vocabulário” dos colunistas Sílvia Melo e Leny Chaplin. A expressão “brôto” virou sinônimo de “jovens descolados”. O foco da crônica social mudou, mas não radicalizou. As famílias tradicionais e antigas permaneciam como assunto principal. Continuava proibido comentar sobre adultério, divórcio e homossexualismo. No máximo, assuntos para a página policial do jornal A Luta. O silêncio incomodava.

Cleusy Miranda chegou a comentar sobre o desquite, porém de maneira muito vaga: “Já que o divórcio está atraindo atenções gerais, vai aqui para começo de conversa algo a respeito: divórcio?... Tal situação está provocando tumulto entre as famílias (A Luta, 17 de julho de 1977)”. Na Coluna “Fofocando Vocês-Genaro”, outra notinha bem discreta e comportada: “Tem gente por aí aproveitando a onda do divórcio e trocando de namorado como se troca de roupa (A Luta, 31 de julho de 1977)”.

Nesse período, o Brasil estava discutindo no Congresso Nacional a lei do desquite. O jornal A Luta estampou algumas reportagens sobre o tema: O Divórcio por padre Mateus Cortez Rufino (16 de janeiro de 1971); Deputados Piauienses assinam [a lei] [d] o Divórcio (1975); TFP aponta o que faltou na luta contra o Divórcio (17 de julho de 1977)”.

Ao contrário de Leny, Cleusy Miranda optou pelo colunismo social clássico. Ela escrevia sobre festas cívicas e bailes, avisos de aniversários, casamentos, noivados e batismo.  Fazia anúncios publicitários. Dava visibilidade às ações administrativas de prefeitos. Os textos de Cleusy eram extensos. Como sócia do Lions Clubes, dedicou-se a divulgação das ações da instituição em suas páginas “Acontecimentos Sociais” (A Luta) e “Leonismo” (Gazeta Campo-Maiorense-1995), além de outros jornais locais. O colunismo social de Jesus Araújo seguia o mesmo padrão jornalístico de Sílvia Melo e Cleusy Miranda: informativo, clássico e conservador. Com o A Luta, a crônica social passou a ser respeitada e arrebanhou um público cativo:

“Recebo regularmente o jornalzinho que a Mirtes me manda e o primeiro canto que leio é a tua crônica social. Assim fico a par dos fatos procurando saber ‘quem é quem’ pelos nomes de família (Correspondência de Abdias Leite Melo para Cleusy Miranda)”. Jornal A Luta, 1978.

 

LENY CHAPLIN E A SOCIEDADE

“Faça sua notícia social ao próprio colunista, pessoalmente, ou na redação do jornal A Luta, que o Leni faz o resto” (Jornal A Luta, 27 de março de 1977).

“Cigana disse que posso casar breve. Eu, hein! Está nesta boca, Leni? Cruz credo! Sou muito jovem ainda e não parei para pensar em casamento” (Jornal A Luta, 27 de março de 1977).

 

Leny estreou no colunismo social no jornal A Luta em 1977, passando a escrever na “Coluna Social - Leni e a Sociedade”. Foi o primeiro homem atuar numa atividade dominada pelas mulheres. Além de pioneiro, inovou ao criar nome artístico com que assinava as notas sociais. Começou a empreender e trabalhar na realização de festas e bailes (Chuva de Prata, Festa da Carnaúba, Posse de prefeitos e vereadores de Campo Maior). Idealizou Concurso Miss Campo Maior, Noite de Ouro, Beco do Prazer, a edição da Festa das Personalidades do Ano (1977), Rainha da Carnaúba (1982-1992), promoveu o encontro Miss Municipais (1992) entre outras promoções que o consagraram na área de eventos. Foi assessor de comunicação da Distribuidora de Bebidas Asa Norte (década de 1980) e compôs a equipe de imprensa de alguns prefeitos, dentre eles Carbureto. Seu primeiro trabalho foi de cabeleireiro.

 

Festa de debutante promovida por Leny em Campo Maior, no Iate Clube.

 

Com o programa \"Leny e a Sociedade\" na Rádio Heróis do Jenipapo o colunismo social campo-maiorense popularizou-se. Quem se lembra da criativa e provocativa música de abertura do célebre quadro Baú das fofocas: “É Só Pa dá Um Toque (1982)” do trio musical Baiano e os Novos Caetanos ?

Leny trabalhou trinta anos no Rádio, período em que foi consagrado artisticamente e teve a oportunidade de apresentar-se na TV teresinense.  Além da Rádio Heróis do Jenipapo atuou na FM Verdes Campos, Liberdade AM, Cidade FM e Campo Maior FM. Tornou-se referência para novos colunistas como F. Rottman e Lara Scalabithak. Atuou em alguns eventos com Beto Loiola e Elvira Raulino. Muitos o imitaram, adotando nomes artísticos. Um deles foi Rottman, que surgia como nova promessa do colunismo social na década de 1990.

Assim como Leny, F. Rottman atuou tanto no rádio como no jornal impresso. Estreou na Folha do Norte (Giro Social), de propriedade do empresário Helder Eugênio; no jornal Impacto, chegou emplacar três colunas sociais: Royttman em Alta, Impacto Social e Sociedade 100. Finalizou a participação no colunismo social campo-maiorense, em 2016, com o blog Royttman Total.

No casamento da prima (Helena Queiroz) na Catedral de Santo Antônio (01/09/1968). Da esquerda para direita: Leny, Dona Rosário Pericó e esposo, Dona Nazaré Frota, Rosalvir Freire (irmã de Leny), Helena Queiroz, Geraldo Queiroz, Ricardo Queiroz, Amadeus Almeida, Nazareth Leite. Foto: Helena Queiroz.

 

Leny mesmo ingressando na Rádio Heróis do Jenipapo, na década de 1980, não abandonou o jornal impresso. Além do A Luta, contribuiu na Gazeta Campo-Maiorense (1995) e no 13 de Março (2000) com a coluna “Circuito Social”; também escreveu no Impacto (“High-Society” - 2003), Voz do Jenipapo e n’O Popular (“Sociedade in Revista” -2005). Seu trabalho e destaque no Rádio lhe credenciaram atuar em outras emissoras. Teve breve passagem na imprensa da capital, ao escrever no jornal O Dia.

Leny inovou o colunismo social campo-maiorense, ao introduzir fofocas sobre ricos, políticos e famosos, emitia opinião sobre moda e arte, comportamento, bisbilhotices, futilidades, escândalos, divórcios, a boa vida da burguesia, cultura em geral; mas sem abandonar o lado tradicional da crônica social: os avisos de aniversários, casamentos, nascimentos, namoros, informativos e propagandas. Suas notas sociais eram mescladas com pitadas de humor e ironia. A coluna “Titim-Titim Por Tim-Tim” era voltada exclusivamente para críticas, denúncias e alfinetadas. Sua fama extrapolou as fronteiras de Campo Maior. Passou a realizar trabalhos em outras cidades, principalmente na grande região dos carnaubais. Em 1978, Cleusy Miranda, companheira de Leny no jornal A Luta, até ensaia algumas notinhas sobre fofocas, porém de modo comportada, sem malícias.  

Leny cresceu rapidamente na imprensa, virou celebridade aponto de tornar foco de notícias, fofocas e especulações. O jornal A Voz do Jenipapo, na edição de 01 de janeiro de 1984, estampou: “O cronista social Leny Chaplin Stein está arrumando as malas para viajar com destino a Recife, onde irá fazer um checap. Ao badalado cronista os nossos votos de muito sucesso”. A gazeta Folha do Norte, na sua edição de 01 a 15 de dezembro de 1991, expôs rumores sobre a vida, ou melhor, o suposto falecimento de Lenir:

LENIR

Um dos boatos mais badalados na cidade foi à notícia de morte do colunista social Lenir Chaplin. Não se sabe quem inventou, mas o boato circulou fortemente. As declarações do Lenir sobre o assunto... São impublicáveis (Coluna Canal Livre, Jornal Folha do Norte, 01 a 15 de dezembro de 1991).

 

Cleusy Miranda, a mais tradicional e respeitada colunista social da cidade foi à primeira reconhecer o talento de Leny:

Pelas fotos e elogios do Jornal O Dia, coluna social Elvira Raulino, envolvendo a festa de promoção do colunista Noite de Ouro, realizado em Caxias-Maranhão, dia 31, nota-se que o amigo Leny Chapllin está vitorioso no colunismo social. E o que é importante: em jornal da envergadura de O DIA. Foi madrinha da noite a sra. Valcira Miranda Trabulo de Sousa, diretora de O DIA, que compareceu com seu marido Trabulo de Sousa. Recebi o convite especial do colunista, infelizmente por motivos alheios à minha vontade, não pude comparecer. É isso aí, amigo, ninguém é profeta em sua terra. Siga em frente. Coragem.

Em tempo: quero agradecer ao Leny as boas referências sobre minha pessoa em sua coluna de sexta-feira (A Luta, 06 de agosto de 1978).

 

Polêmico e carismático. Leny foi ousado, corajoso. Assumiu cedo a homossexualidade numa sociedade extremamente conservadora. O preconceito ao “gay” chagava a ser estampado em capa de jornal.

O aumento do contágio do HIV/AIDS no Brasil em 1991 e os supostos primeiros casos em Campo Maior recaíram, sobretudo, em pessoas marginalizadas, oprimidas e discriminadas como prostitutas (principalmente da Rua Santo Antônio) e gays: Leny brincou com a doença e afirmou que as pessoas já tinha lhe matado de AIDS, Calaza e de Câncer, mas que resistia a tudo e continuava a mesma \"estrela\" de sempre” (http://www.avozdojenipapo.com.br/2019/02/leny-chaplin-morreu-falando-de amor.html).

Ele sofreu pesada discriminação e injustiças. Mas com carisma e dignidade venceu preconceitos e obstáculos.

 

“‘Quando eu usava vestidos longos e salto alto, era apedrejado nas ruas de Campo  Maior, isso tudo passou e hoje sou respeitado  pela minha história’. Indagado sobre sua vida atual, Leny Chaplin  disse que está morando  em um recanto   secreto, mas que vai voltar a falar no rádio nos próximos dias  e  que vai  lançar um livro com os grandes amores da sua vida” (Entrevista concedida ao radialista Arnaldo Ribeiro).

 

 

Do colunismo social fútil, meramente informativo, às vezes alienado, para matérias de engajamento político iniciou-se com o trabalho dos colunistas Leny e F. Hoyttman. O movimento de maior expressão, aceitação e público do colunismo social em Campo Maior (principalmente no rádio) foram com Leny Chaplin. E as primeiras manifestações em defesa do público LGBTQI+ no município começaram no colunismo social.

Leny foi o primeiro a levantar publicamente a bandeira homossexual em Campo Maior, mas de forma individual, sem comprometer ninguém. Homem com um destino, amor por uma causa. Teve a vida carregada de contestações. No fim, conseguiu o reconhecimento e o respeito da sociedade que o rejeitou.

Não se curvou perante as dificuldades. Recolheu-se ao anonimato. Era risonho e de bom astral, mesmo diante das adversidades. Leny não se furtava a desafios e criações. Sempre ressurgia como uma fênix. De estatura mediana, esculpiu na carne os dramas, a imagem de um corpo: ousado, alegre e cheio de vida.

Leny em um dos seus eventos em Campo Maior.

Leny e o colunista Edy Cardinaly de Coelho Neto (MA) em noite de evento em Campo Maior. Foto: Edna Gomes. 

 

Foto: Blog Super Campo Maior. Leny homenageado na Festa da Imprensa Campo-Maiorense (edição 2013).

(https://luselenedecampomaior.blogspot.com/2013/12/festa-da-imprensa-2013-fotos.html?m=0#more)

 

Era lucrativo atuar como cronista social

Falou o vereador Raimundo Ibiapina a respeito do que disse o colega João Alves em um jornal que circulou a poucos dias atrás, elogio e parabenizo até certo ponto pela pretenciosidade  de defender o povo desta terra. Mas o colega atacou o sr. prefeito municipal por ter pago 18.000,00 (dezoito mil cruzeiros) por um cronista social, que veio a está cidade no dia que se recebia o Núncio Apostólico do Brasil, Dom Carme Rôco. Efetivamente foram pagos 18.000,00 naquele dia, não a um cronista social, mas por todo serviço prestado de garçons, coquetel e  mais arranjos feito na hora, completamente o contrário do que publicou o colega João Alves. (Ata da Sessão Ordinária de Câmara Municipal de Campo Maior, 28  de dezembro  de 1977)

 

França Silva- Giro na Sociedade. Jornal da Cidade. Campo Maior, 1987. 

 

 

Nosso Higt-Society. Sílvia Melo. 1969. Sílvia Melo e Cleusy Mirando eram os dois nomes consagrado do colunismo social campo-maiorense na decada de 1970.

 

A LUTA Sociais. Jesus Araújo. 1970.

 

Coluna “Acontecimentos Sociais”- Cleusy Miranda. 1979. Promotora de festas e bailes. Organizou o concurso “Miss Tertúlia” realizado no Campo Maior Clube e eventos do Lions Club.

 

 

Coluna Social Leni e a Sociedade, 1977. O Leny representou o elo entre duas gerações de colunistas sociais campo-maiorenses. A primeira formada a partir do jornal A Luta (Sílvia Melo, Jesus Araújo, Cleusy Miranda, Áurea Paz e Leny). Segunda, entre as décadas de 1990 e 2000 (Leny, França Silva, F. Hoyttman, Lara Scalabithak, Nanda Teles, Valdamir Alvarenga).

 

 

 

13 de Março. Circuito Social. Leny Social.

O Popular. Sociedade in Revista. Leny Chaplin. 2005.

A coluna de F. Rottman destoava muito pouco da escrita e do estilo de Leny Chaplin. Em síntese, buscava registar os principais eventos da cidade, as personalidades de destaque na sociedade, negócios e política. Saiu em defesa dos gays. Dava alfinetadas, comentava sobre moda, arte, comportamento, cultura, educação e movimento estudantil. F. Royttman “passa atuar nos enfoques sociais de maneira clássica, com ética acima de tudo (Impacto, 1 a 14 de maio de 2014)”. Foi vitrinista de loja e depois empreendeu no ramo de Buffet.

 

As festas eram animadas pelas bandas mais renomadas do Piauí, como os geniais e spacial.

Iate Clube, Teatro dos Estudantes, Quartel da Polícia Militar, Churrascaria Bambú foram alguns dos espaços utilizados pelo Leny para realização de eventos.

 entre outros espaços.

Leny

 

A Revista Nossa Gente publicou duas reportagens sobre Leny Chaplin. A primeira, em (Fev./Maio, ano-I, nº03) 2010; e a segunda, (junho, ano-VIII, nº22) 2016. O assunto principal das matérias era quase o mesmo: a homossexualidade do colunista.

A Revista explorou, de modo ostentoso, a vida sexual do colunista. O texto com perguntas capciosas e subterfúgios, em certos trechos, acabou reforçando estereótipos relacionados à sua doença e opção sexual. A época todos se perguntava por onde andava Leny Chaplin. O seu sumiço aguçava a curiosidade da população e aumentava as especulações quando aos motivos do desaparecimento. Ao encontrar Leny, a RNG fez um furo de reportagem.  Sensacionalismo?

 

 



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