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LiterAltos: ALTOS, DE ALTOENSES

Terra para plantar, fazer açudes e pontes e lendas. Uma mulher de branco na Pedro II; um lobisomem no Batalhão; uma luz que anda no Baixão; uma porca na Rua da Areia; um Caipora na Ciana; um capelobo no morro do Boréu; um corpo santo, achado dentre crenças e sussurros; um espírito de encruzilhada na Tranqueira, beira do açude, despachos de bebidas e de desejos.
 Foto: LiterAltos 

LiterAltos: ALTOS, DE ALTOENSES - Milton Paiva

 

ALTOS, DE ALTOENSES

 

Tem que ter muita fé no poder de transformação que se pode fazer do mundo.
A cidade inundada de mangas, rodeada de cajus, com ares frescos de cocais,
Tão batida de calor e de usurpação dos homens.

A cidade crescendo, alargando as ruas, com paralelepípedos de sangue e de sonhos acanhados,
Tão bela com suas árvores, tão perdida dentre cerrados e cerras e machados.
A cidade que recebeu um nome de um lugar alto, rebaixado pelo abandono político.
Cheia de crianças, de homens feitos, de mulheres de toda estirpe, de jovens que vão buscar sonhos ao sol de Teresina.
Uma história por contar, um nome grande, de sonhos que enfrentou o calor das coivaras que avida faz com a gente.
Terra para plantar, fazer açudes e pontes e lendas.
Uma mulher de branco na Pedro II; um lobisomem no Batalhão; uma luz que anda no Baixão; uma porca na Rua da Areia; um Caipora na Ciana; um capelobo no morro do Boréu; um corpo santo, achado dentre crenças e sussurros; um espírito de encruzilhada na Tranqueira, beira do açude, despachos de bebidas e de desejos.
Cidade de casarões, de taipas antigas.
As casas de forno trabalhando com as prensas da vida, na Tranqueira.
Passeio pela ruas do São Luís, entre beijos de jovem sonhadora.
Festejos de Março, roda grande girando dentre esperanças e rezas e círios.
Uma dança de São Gonçalo lá pela Tranqueira, rezas.
A Igreja as Mercês tão cheia de jovens e de virtudes.
Pescaria de riacho Surubim, em meio a pingas, na tarrafa de dores e batalhas.
Partidas de futebol no campinho de poeira ou no poli, no meio de peladas e dribles da vida.
Namoro de pé de cerca, quente de um fogo que alumia a alma, levanta segredos.
Inauguração da praça no Tonica Almeida, arrochando todas, no vai e vém do povão, luzes de nossa fé, à frente dos carros, atropelos, acidentes, desastres e monumentos perdidos.
Quem sabe uma promessa paga em meio às velas, caminhada à beira da pista quente, belas e jovens e maduras e homens todos, na miragem trêmula de sol.
Saídas dos motéis, acanhados e felizes, quem sabe amores das florestas, tão humano , tão simples, tão cheios de medos bobos e de enganos malogrados.
Amores que nem se realizam, como a vida que se faz ausente, tão sem aviso.
Na praça, ônibus, laranjas, doces, moto-táxis, estudantes que vadiam ou vão cheios de esperanças.
Morte na linha do trem, comprido como a noite de dores, de partos ou de esperas.
Sorvendo as belezas da praça, ou sorvete, olhando a mudança do mundo e da cidade miúda.
Tão grande de necessidades.
Uma prosa entre amigos bons.
Bebendo as águas que descem dos mortos, aguando a vida.
O cantador que faz prosa e altera os brios, palavras de doce tempo de sincero brejeiro: priquito, bosta, cu, quenga, fuleira, língua de fogo, lendas e medalhas de grandezas.
A cidade nova e a velha, num conto que tenta se fazer pós algo ruim.
A cidade, sonhando um sonho de povo e de vitórias.

 

Milton Paiva

 

 






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