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LiterAltos: Chacina do Buritizinho

Quando voltavam aos casebres dos arredores do Bairro Santa Inês, em alta velocidade, Carambolo e Negão sobram na curva da descida da Torre e vão parar debaixo de uma 18 pneus da Empresa Neri, que transportava combustível no caminhão tanque. A pedaceira de gente ruim estava feita: muito mais trabalho para o carro tumba e funcionários do IML.
 Foto: LiterAltos 

LiterAltos: Chacina do Buritizinho

 

Chacina do Buritizinho

 

Ele levanta-se do colchão em que se debruçava sobre umas tábuas velhas e olha para o seu lado esquerdo. Ver o seu comparsa Carambolo. Os olhos do chefe da Carne Morta, Chico Bode, estavam vermelhos de puxar a ‘emprensadinha’, assim como os dos demais membros da bandidagem. “Hô chegado, vai tu e Negão, lá no troço embasado, mar vai primeiro consulta os caras (policiais militares) e ver se tá liberado a quebra de mií. Tô aqui tirando onda de joão-sem-braço, preciso de ação, muleque. Boto fé mermo é ver uns dois rolado, daquele jeito, sem os dedos da mão.”

 

Carambolo acompanhado do Negão, salta sobre a moto CG 150, sem placa, e sai cantando pneu na Rua empiçarrada São Bartolomeu, Bairro Santa Inês, rumo ao assentamento Buritizinho, zona rural, sentido oeste da cidade de Altos, em busca de informações sobre o paradeiro do Jarau, inimigo do Chico Bode, ex-comparsa e atual traíra número um da gangue Carne Morta. O malandro tinha sujado com a turma. Agora vendia, por conta própria, pedra e emprensadinha com a esposa e dois malinhas sem experiência. “Muleque tá despachando muito no Borel e Boca de Barro. Tem que voar, sair de circulação, papoco nele.”

 

Doze e quarenta de 24 de julho de 2013, as duas viaturas da 3ª CIA da PM, estacionadas no pátio da Corporação, os dois bandidos passam defronte ao mini-quartel voados em direção à comunidade do Buritizinho. Lá avistam apenas a penumbra: calmaria geral no miolo das habitações. Jarau não se precaveu. Sintoma de que tudo ia dar certo. Carambolo liga pra Chico Bode e passa as informações. O chefe chama Marquin e Bibito e saem cada um numa moto em direção ao Buritizinho. Na mochila de Marquim vão os armamentos que serão utilizados no serviço sujo. Muito antes do levantar da barra da aurora, o serviço estava feito. Os cadáveres do Jarau, da sua mulher Sandrinha, e das duas filhinhas gêmeas de apenas seis anos do casal de bandidos estavam irreconhecíveis: cada um havia recebido dois tiros de 38 e as carnes estavam estraçalhadas de profundos golpes de facões, com os membros superiores e inferiores, assim como as cabeças, apartados dos respectivos troncos.

 

Quando voltavam aos casebres dos arredores do Bairro Santa Inês, em alta velocidade, Carambolo e Negão sobraram na curva da descida da Torre e foram parar debaixo de uma 18 pneus da Empresa Neri, que transportava combustível. A pedaceira de gente ruim estava feita: muito mais trabalho para o carro tumba e funcionários do IML.

 

Chico Bode e os demais não esperaram nem para ver a carnificina dos comparsas…

 

Gilberto Damasceno Paiva - Altos(PI), 25.08.2013

 






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