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LiterAltos: 38 Poemas do literato Fofão Paiva

DESERTO MENTAL Dentro da minha cabeça Um cérebro velho se atrofiou Foi remoído pelo esquecimento Cinzas de um passado que se formou Do entulho de muito pouco significar Os meandros toscos de momentos Deixaram acidentalmente vazar Levas, larvas, lamas de pensamentos.
 Foto: LiterAltos 

LiterAltos: 38 Poemas do literato Fofão Paiva

 

Gado Desgraçado

Dorme gado desgraçado!

O teu sono magistral

Pois no nascer do dia acordarás

Cada vez mais cansado

Da dura rotina do teu curral.

Dorme gado alienado!

A tua indiferença ancestral

Sonha o teu fetiche ilusório

No mercado do teu próprio velório

Sendo engrenagem, um fantoche ideal.

Enforca-te gado ambicioso!

Nas cordas infames de teu salário reduzido

Afoga-te no teu plano imaginário

Como o cão que anseia em desespero o osso cuspido.

Morre gado expropriado!

No covil de cobras do mundo capital

Que te compra e arranca as entranhas nas manhãs

De um abatedouro mórbido tingido de sangue animal.

Que decepa os teus desejos em feias artimanhas

Os teus senhores que patrocinam a tua rotina servil

Que se refrescam em sorrisos doentios das tuas dores vãs

Algozes que te prendem num ciclo vicioso, de ideologia inútil.

 Através do texto de clausulas insanas de aspecto e natureza selvagem

Que suga, esfacela, atrofia, amolece, prosta, entristece a tua coragem.

Vendida pelo pacto decadente, fajuto, de violência e escravidão ‘‘sutil’’.


 Fofão Paiva (04 10 2014).

 

 SOLIDÃO MINHA

Por que me sinto tão sozinho

Em meio à multidão?

Por que tudo é espinho

Que fere sem perdão?

E por que essa noite não passa?

Pois, parece uma longa comédia.            

Que não tem mais graça

E a minha tristeza segue chorando

Lágrimas do meu amargo tempo

Que, em gotas, vão penetrando.

No deserto do meu sofrimento

Onde uma flor cresce desesperada

A melancolia, fria, e desordenada.

E, no final, desta vasta noite.

O meu ser se reduz abatido

A um pedaço de papel surrado

De um caderno velho e esquecido

Jogado propositadamente

Num canto escuro, amassado, e perdido.

 

 Francisco Paiva (14-02-2013).

 

Solidão Minha (Parte II)

O homem melancólico se perdeu

Nos caminhos tortos da solidão

Por lá, encontrou o ‘’não -ser’’.

O eterno ‘‘não-ser’’ de si mesmo.

Ele estranhou a imensidão dos vazios

Dos sentimentos, transformou-os.

Em fúteis e fugazes passadios fios

Tentou costurar tais vazios em vão

Que, incessantes, avolumavam-se.  

Em lacunas gigantesco-grotesco-vacilantes

De sua trágica temporária comédia

Infame virtual sedentária de existência.

E a cada rascunho de movimento

A cada remendo remoto, monótono, que fazia.

Um feixe de lâminas em filas vagas surgia

As perguntas nem se quer tomavam cria

 Desgarravam-se no terreiro sem cor

Em bandejas de [nadas] de {sentidos}.

Os líquidos viscosos e tenros da razão

Todos foram delirantemente diluídos

Fermentados, esfumaçados, espumados.

 Na morbidez das carcaças entranhadas da vida

Escuras, alquebradas, estagnadas e falidas.

E seres tristonhos, solitários da eterna noite.

Fazem pegadas violento (silêncio-tortuosas)

Que se tatuam na trepida feição erigida

De tão embebidos que estavam por aquele abismo.

 

Francisco Paiva (13-06-2015)

 

(Desumanidade)

Uma criança negra e magra

Segurando o corpo mole

Para não cair!

E um soldado feio e malvado

Violentando o braço frágil

Para se distrair!

E o braço preso à grade

Da tristeza e da maldade

Vai perdendo a liberdade

De se divertir!

E a criança num choro infinito

Entoando feios gritos

 De solidão e desprezo

E os gritos num coro sinistro

Revelando-se rostos aflitos

Perguntando-se: Quem morre primeiro?

E as mães tão afastadas!

Dos abraços de suas crias amadas

Que caem doentes e mortas pelas calçadas

De ruas sombrias e indesejadas

Fome, abandono e desespero.

E a dúvida continua

Neste morto cativeiro

Revelando rostos aflitos

Perguntando-se: Quem morre primeiro?                               

 

F. José Paiva (15-12-2013)

 

Expando e medo

Não sou carismático

Não sou bonito

Feito o plástico

Que enfeita o teu rosto

Sou enigmático e louco

Feito o hábito

Esquisito do teu gosto

Minha voz tão diferente

Que desagrada a tanta gente

Veja!O problema está na frente

Das janelas circulares da mente

 Míopes, estáticas, fanáticas.

Enfeitadas por horríveis certezas

“Joias” legítimas e paradigmáticas

Violentadas por múltiplas etiquetas

Sou feito o tempo

Que apaga e concerta

A ignorância do teu pensamento

Que insiste em desprezar-me

A cada novo momento

Em toda novidade há

Olhares esquisitos desde cedo

A pior das enfermidades

Esse tal de maldito medo

 

F. José Paiva (26-01-2014).

 

 

Homenagem aos tolos

Tolo é aquele que acredita

Que tudo irá melhorar

Tolo é aquele que luta

Para o mundo não acabar

Tolo é aquele que vê

O que os outros não enxergam mais

Tolo é aquele que crer

Que simplesmente ainda é capaz.

Tolo é aquele que envereda

Por um caminho jamais percorrido

Tolo é aquele que ajuda

A quem sempre tem sofrido

Tolo é aquele que sorrir

Perante um vale de lágrimas

Tolo é aquele que tenta seguir

Por estradas sombrias e inválidas.

Tolo é aquele que insiste em viver

Num mundo de ódio e sofrimento

Tolo é aquele que não quer saber

Da covardia em nenhum momento

Tolo é aquele que sonha em vencer

Quando a derrota parece assumida

Tolo é aquele que não quer perder

A bela vida, sonhada e querida.

Tolo é aquele que não teme

A morte calma e personificada

Tolo é aquele que não geme

Diante da dor, lenta e consumada.

Tolo é aquele que é verdadeiro

No reino da falsidade e da mentira

Tolo é aquele que se diz guerreiro

 Lutando para vencer a obscura ira.

Tolo é aquele que sobrevoa

Um céu totalmente rachado

Tolo é aquele que ainda perdoa

A quem há muito, vem sendo enganado.

Tolo é aquele, que é puro e louco.

Por ter em suas mãos a vitória

Tolo é aquele que usa o máximo do pouco

A esperança, maior arma para essa glória.

F. José V. Paiva (25-11-2012).

 

O Mímico

Como um velho mímico de circo

Sinto-me preso a uma caixa invisível

Que enquadra as minhas vontades

E em vão! Faço gestos às pessoas da plateia.

Sinais desesperados de desprendimento

Mas, só os pequenos desacreditados.

Os sensíveis (as crianças) conseguem decifrá-los.

Porém, estes se tornam inúteis filhos de cegos.

Dos que não conseguem usar o sentido da visão

Pois, a ilusão mundana ofuscou os olhos destes.

Como dói está preso a uma falsa liberdade!

Como é angustiante gesticular sem ser visto!

Que se iguala ao falar e ninguém para ouvir.

Pela norma da mímica seu ator não pode “falar”

Não pode violentar os espectadores com “palavras”

Pobre orador de palavras frágeis e inaudíveis

Que corrompem todo o fôlego da caixa pulmonar

Deste mímico surrado pelo esforço em vão.

Entretanto, como bom amante da arte dos gestos.

Uso o corpo como difusor de mensagens

Mensagens que são friamente recusadas.

Ora!Mímico é um mero “produto” da arte.

E esta “arte” esconde a nobre nudez do ato

Fábrica da visão rotineira, pálida e castrada.

Que só avista o superficial deste louco espetáculo.

F. José Paiva (23\\\\07\\\\2013).

 

PESADELO CONSUMADO

Eu hoje acordei chorando

Por que sonhei algo pesado

Sonhei pessoas me deixando

No meu pesadelo consumado

E deste lado, perdido, sigo perguntando.

Mesmo com o espírito todo machucado

Por que tanta dor vem de mim se apossando

Se tudo foi somente um sonho imaginado?

Talvez, alguém, comigo esteja brincando.

Fazendo da minha mente um labirinto armado

A saída, em desespero, corro procurando.

Vendo os meus rastos neste círculo inacabado

E o meu despertar cada vez mais se distanciando

Restando a ilusão, que ao meu ser, só tem aprisionado.

E os meus olhos, em vão, seguem se esforçando.

Em enxergar os elos invisíveis deste pobre acorrentado.

Mas, com o passar dos anos, vejo deste lado tudo se efetivando.

E aos poucos vou perdendo, aqueles, que mais tenho gostado.

Porém, mais uma vez, pergunto-me se estou sonhando,

Ou se jamais acordarei deste pesadelo consumado.

 F. PAIVA (26-01-2013).

 

Poesia Sombria

Poesia pia, poesia vazia.

Poesia morta, torta e fria.

Que nem o melhor psicanalista

Jamais nesta vida avalia.

Poesia de monturos

De enterros de saturnos

Poesia dos monstros

De espíritos obscuros

Poesia da falsa democracia

Da triste noite e do morto dia.

Pois é, nem eu sabia!

Que tal poesia realmente existia

Poesia que morde aquele que explode

A mente mesquinha ou fugidia.

Poesia de louco, de estereotipia.

Que nos mostra um pouco

De nossa trepida anomalia

Sistêmica, endêmica e doentia.

Poesia de reticências, de ausências.

De insanas e gratuitas violências

Que nos cobra penitências

De nossas vidas sombrias.

E quem quer falar

Sobre isso hoje em dia?

F. Paiva (15 - 07-2014)

 

Saudade

Não existe lamina mais cortante

Mais fria venenosa e dominante

Mais pesada, impiedosa e dolorida.

Não existe pena mais incessante

Mais dura nebulosa e mendicante

Mais sólida solitária e assumida

 Não existe ferida mais desafiante

Mais tenaz maléfica e reinante

Mais profunda feroz e deprimida.

Não existe prisão mais delirante

Mais silenciosa perversa e torturante

Mais amarga melancólica e crescida

Não existe senhora mais arrogante

Mais malvada inquieta e ofegante

Mais algoz e destruidora da vida.

Não existe cicatriz mais marcante

Mais infinita morta e agonizante

Mais teimosa fatal e atrevida

Não existe dança mais inquietante

Mais solitária vazia e perturbante

Mais latente consumada e falida.

F. Paiva (28-11-12).

 

SISTEMA ROTINA

A grande personagem deste poema é Marina

Mais uma típica filha e produto da feia rotina

Que destrói, desintegra, dilacera e desanima

O sorriso suave e sereno desta doce menina.

É pura boneca de uma criança egoísta e traquina                            

Malvada, manipuladora, medíocre e mesquinha.

Cujos fantoches, esta, prazerosamente domina.

Como num show de marionetes que jamais termina.

Talvez, seja por esta razão, minha doce Marina.

O motivo de consumires a roupa dita “grã-fina”

Que tu compraste, louca e cegamente, em Teresina.

Que apenas fantasia de lixo o teu corpo, pequenina.

E que gasta inútil e injustamente a tua retina.

Esta, já cansada de receber uma luz que nem sequer ilumina.

Mas que ofusca os teus lindos olhos verdes de felina

Que aos homens, também seduz, afeta e fascina.

Embriaga, engana, enfurece, envelhece e afina.

A flauta da ilusão da mente, já corrompida, masculina.

É como um vírus que desajusta e enfraquece a hemoglobina

Que desequilibra a força da hemácia afetando a melanina

 Mostrando a palidez morta da pele dos homens, e de Marina.

Tudo isso por causa da podre precisão desse sistema chamado rotina.

F. Paiva (07-03-2013).

 

Violência

Ela é fria

Quando calculada

Ela é sombria

Quando imaginada.

Ela é chocante

Quando inesperada

Ela é marcante

Quando cicatrizada.

Ela é repugnante

Quando avistada

Ela é incessante

Quando naturalizada.

Ela é monstruosa

Quando explicada

Ela é impiedosa

Quando ocultada.

Ela é sufocante

Quando instalada

Ela é agonizante

Quando silenciada.

Ela é desprezível

Quando articulada

Ela é infalível

Quando despreocupada.

Ela é palpável

Quando dissecada

Ela é abominável

Quando praticada.

Ela é simbólica

Quando reforçada

Ela é catastrófica

Quando multiplicada.

Ela é banal

Quando legitimada

Ela é fatal

Quando incentivada.

Ela é epidemia

Quando espalhada

Ela é vazia

Quando dissimulada.

Ela é forte

Quando esquecida

Ela é morte

Quando fere a vida.              

 

F .PAIVA(18\\\\08\\\\2013).

 

A CÓLERA DO CAOS

Bem que eu queria

Sair desse deserto

E levar comigo o resto das plantas

Para outro universo

Bem que eu queria

Sair dessa destruição

Mas, não consigo.

Reanimar o meu coração

Bem que eu queria

Poder ao menos dormir

Encher os olhos de utopia

E um pouco me distrair

Bem que eu queria

Ver o sol nascer

 Mas, é tanta poluição.

Que já não consigo ver

Bem que eu queria

Poder francamente enganar

A solitária do tempo

E finalmente escapar

Bem que eu queria

Viver um pouco mais

Mas, é tanto caos.

Que nem sei mais

Bem que eu queria

Reviver a minha mente

Mas, o fogo cremou meu cérebro.

Assim, subitamente

Bem que eu queria

Pelo menos voar

Mas, o céu está trincado.

E em qualquer momento pode quebrar

E com ele levar a minha cólera.

F. Paiva 23-04-2012.

 

“Cavaleiro da Triste Figura”

Nobre Dom Quixote,

 Nem do Sul e nem do Norte

Da loucura ou da sanidade.

Pobre Dom Quixote,

De Sancho a fiel amizade

Escudeiro e metade

De sua complexidade

 Decidindo a própria sorte

Num sonho realidade.

Forte Dom Quixote

Lutando até a morte

Pela ilusão da felicidade.

Corre Dom Quixote

Da razão um morto corte

Em “Rocinante” liberdade.

Por um longo instante eu não sabia

Que enfrentamos gigantes todos os dias.

 Dorme amigo Dom Quixote

Mas não deixe que o tempo mostre

O delírio da humanidade

De correr atrás da fantasia

Da normalidade

F. Paiva (22\\\\01\\\\2014)

 

Professora! Tem uma muriçoca em seu rosto!

A muriçoca no rosto

Da professora distraída

Do assunto que foi proposto

Da temática debatida.

Distraída em sua atenção

Ao que foi propositado

Pelo aviso vem a mão

Ao inseto inesperado

Na pele a marca do carvão

Nos dedos um vermelho grafitado.

Ó! Muriçoca sem sorte

Por que caístes em tua gula

Se sabias do risco de morte

Do sangue que teu ventre acumula?

Ó! Muriçoca feia e atrevida

Quem dera que tivesses escapado

Terias agora em tua vida

A viagem de um assunto comentado.

Por isso muriçocas!

Embriaguem-se com muito cuidado

Não fiquem inertes como focas

Reféns do descanso prolongado.                                         

F. PAIVA (20\\\\082013).

 

A Copa Encobre

Enquanto a seleção brasileira joga

Tem gente morrendo de fome

Mas, olha só que droga.

Esqueci o meu próprio nome!

De tanto pensar nesta injustiça

Acabei sendo injusto comigo

Como num trágico filme de guerra

Em frente ao olhar do inimigo.

Mas, iludido, você ainda vem.

Cantando o “hino nacional”

Enquanto pobres inocentes

São declarados culpados

Em nosso “belo” e “justo” tribunal.

Progressividade não progressiva

Ordem desordenada e agressiva

Tudo isso inutilmente se estabelece

Enquanto a Copa do Mundo acontece.

Porém, nos intervalos dos jogos.

Nos estádios há folias e fogos

Fora, os crimes são feios e banais.

Ratos no poder e mortes nos hospitais.

Enquanto a seleção brasileira joga

A nossa pobre educação se afoga

No mar podre da corrupção

Do abandono e da humilhação.

Preste atenção nesta triste dança!

E se o seu pai fosse vítima desta matança?

Continuava a cantar o “hino nacional”?

Ou poderia olhar em frente ao espelho

E ver no seu já alienado rosto vermelho

As doenças ideológicas deste mundo brutal?

Enfeitadas por um verde e amarelo de ser

Das sujeiras deste falso carnaval

Tudo isso ocorrendo e você em frente à TV

Cantando despreocupadamente o hino nacional. 


F. José Paiva (06-01-2013).

  

 

Papudim”

E o bêbado fazia poesia

Nos bares da cidade

Em cada botequim

Era uma tremenda novidade

Todos aplaudiam a sua arte

Por que dela todos faziam parte

Do teatro da embriagues

Cada qual por vez

Primeiro, o tradicional papudinho.

Que “a de sempre” pedia

Depois, o dono um pouco velinho.

A ordem sempre atendia

E no fim, de mais e mais sujeitos.

O balcão de madeira sorria

O brega e seus defeitos

Fazia lembrar aquele que esquecia

Mas antes da chegada da melancolia

Todos se transformavam em “nobres” e “ricos”

Sendo pobres loucos pagando micos

Que alegravam o doce ritual da folia

O que cantava uma bela poesia

Na glorificação da amada

Após a última dose da malvada

Em casa o efeito curiosamente desaparecia

E quando a mulher o indagava

Por onde e com quem andava  

A amnésia rapidamente surgia 


F. Paiva 15 08 2014

 

Para      {o}     amigo | Papel

Hoje tive vontade de brincar com as pa – la - vras

                               Desenhar as minhas loucuras férteis e fartas

                   Esquecer os fios------------------ |-----------------------de tristeza e de sOLIDAO

So-mente degustar de             momentânea ,...,.inspiração>>>.>>>>>>>>>.

                        Em cada palavra uma boa emoção

        Na ponta da caneta o primeiro impulso

                               Esquecendo que tinha um vivo pulso

Deixei em aUTO falante, cantar o co – Ra - ção.

                                                                                    Como quem faz uma coisa boba

                              Sei lá, meio rimado, meio           De- As rru m  - Ado.

Vi-me um pouco atrapalhado

               Na tentativa de tudo bem organizado

                               Foi justamente onde perdi o    s      ig  |  ni    |fi   |ca   do

                                             Dane-se o reto! , cor   re to, belo ou metrifiCADO-------------------

   (10000% A + DE|SI|GNIFICADO   ------0 --0-0-0-0]      Pois, o papel desejou ser pintado.

                            Do meio indefinido aos cantos e[s{q{u]i{si{to}s

                               Disse-me que estava cansado da regularidade..................................**

              De um sentido conciso e real de {{verdade[{

E o que queria era fazer sorrir

O velho menino adormecido

Num canto calado, quase esquecido.

O papel só queria também sorrir

                                                Mais uma vez descompromissado                                             

F. Paiva     29 05 2014

 

 

Desprezo

Chove dos olhos da mulher abandonada

Um rio ferido de tristeza

Corre por sobre as pedras caladas

As últimas gotas da natureza

E todos permanecem parados

Em suas depressões prostados.

Na cadeira enraizada ao chão

Vegeta um esquisito sujeito

Que no passado fora tido suspeito

De viver sem defeito a sua ilusão.

Muitos piscantes lhe dirigem a atenção

Mas nem todos se empenham na comunicação.

A preguiça carniça furta-lhes a força

Por isso, na inércia mórbida, conservam-se.

Como num império frágil duma ordem idiota

De pés que calçam a porcelana do orgulho

F. Paiva 16 08 2014

 

A pena decadente

A pena do antigo poeta pesou

Quando o deixaram de lado.

Seu nome nunca mais estampado

Na crônica que o consagrou.

Torres e mais torres de vaidades

Prédios arrogantes formavam cidades.

O vinho simplesmente não mais o reconhece

Pois, se tornara um velho inútil que esquece.

Que dantes escrevia por divertimento

Quando se sentia criança por dentro

Deixando a metáfora lhe abraçar

Na brincadeira do ato artístico de errar

Agora seus dedos tornaram-se “independentes”

Não respondem a pedidos ou gritos insistentes

E sua pena transformara-se numa triste pedra

Cuja rima caíra no abismo da pena decadente

F. Paiva 16 08 2014

 

Poesia de pulso

Busquei como um louco

Construir uma simples poesia

Uma que falasse muito pouco

Porém, que tudo ao menos dizia.

Pensei em quebrar a rima vazia

Descascando o miolo do coco

Miolo de um crânio torto

Cuja razão aos poucos desaparecia

Pensei em colorir o lago morto

Desacelerando a rotina mecânica do dia a dia

Quem sabe encher a vasilha do porto

Com doces chuvas de poesias

De cantos magistrais dos emplumados

Nos gorjeios de múltiplas melodias

Despertando nos corações amargurados

O pulsar verdadeiro do tambor da alegria

F. Paiva 19 08 2014

 

Preferência Louca

Às vezes prefiro estar bêbado

Para fugir um pouco da fria realidade

Encontrar um mundo torto

Onde não tenha penalidade.

Às vezes prefiro a loucura

Do que ser mecanicamente normal

Ser um pouco divergente

Ser menos “reto” ou absolutamente ‘‘igual’’.

Às vezes prefiro estar cego

Para não ver tanta maldade

Que corre no olhar dos espertos

Da mais fina e nobre sociedade.

Às vezes prefiro a simplicidade

Do que gestos zumbis de tecnologia

Esquecer-me da polidez duma única verdade

Absorver um pouco de loucura por dia.

Às vezes prefiro ter outro mar

Para lavar a minha fugitiva alma

Apreciar uma criança dormindo

Com sua pureza, inocência e calma.

Prefiro em muito ver o sol nascer

Do que espreitar uma noite sem luar

Sentar numa mesa com os amigos

Cantar a vida, sorrir e festejar.

Prefiro a ingenuidade duma boa brincadeira

Do que esse tosco e doentio egoísmo

Correr para um mundo distante

Mas nunca perto de um abismo

Às vezes prefiro morrer de amor

Do que a agonia sombria da paixão

Dissipar-me nesta louca dor

No analgésico dionisíaco da ilusão

 

F. Paiva 16 08 2014

 

Poema saturado

Alimentei demasiadamente o meu ego

E neste percurso tornei-me mais um pobre cego

Tudo queria em penoso delírio devorar

Pessoas, coisas, gestos, ideias, tudo acabar.

Saturei meu corpo de incríveis (i) necessidades

Estourei a mente com mortas (ir) realidades

No consumo do último frasco d






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